A invenção do transistor é considerada a mais importante do século 20. Esse minúsculo dispositivo revolucionou a eletrônica e as comunicações. Sua invenção foi anunciada há exatos 68 anos, no dia 30 de junho de 1948, pelos Laboratórios Bell, de Murray Hill, Nova Jersey. Quem visita hoje a sede desses laboratórios, pode ver como era o primeiro transistor numa vitrine no saguão do prédio principal. Para muitas pessoas não passa de uma aranha sem nenhum charme. Para outros, no entanto, é algo tão significativo quanto o 14-bis de Santos-Dumont ou o primeiro telefone de Graham Bell.

Nessa mesma vitrine, o visitante pode ver um exemplar da nota à imprensa distribuída pelos Laboratórios Bell, sobre a invenção do transistor e que foi publicada no dia 1º de julho de 1948 pelos grandes jornais dos Estados Unidos e do mundo, sem grande destaque. O New York Times, por exemplo, registrou o invento numa pequena nota, perdida no meio do jornal, em apenas quatro parágrafos.

No primeiro momento, poucos compreenderam a importância do transistor, além dos três cientistas que criaram esse dispositivo – William Shockley, Walter Brattain e John Bardeen. Na realidade, o protótipo estava pronto desde o dia 23 de dezembro de 1947, e funcionava perfeitamente, amplificando em 40 vezes a intensidade do sinal elétrico. Mas o dispositivo ainda não era de silício e, sim, de germânio.

A direção dos Laboratórios Bell, contudo, não se convenceu logo da importância nem do alcance do invento e só decidiu divulgá-lo seis meses mais tarde, depois de exaustivas demonstrações de seu funcionamento. Até mesmo o reconhecimento do mérito do invento pelo mundo científico demorará quase 9 anos. Finalmente, porém, vem a consagração: Shockley, Brattain e Bardeen ganham o Prêmio Nobel de Física de 1956.

Na indústria, poucos meses após seu lançamento, o novo componente começa a substituir as válvulas a vácuo de três pólos e deflagra o processo de miniaturização que tem marcado a microeletrônica nos últimos 60 anos. Com ele, se produzem componentes e equipamentos eletrônicos cada vez menores, mais rápidos e mais baratos – ou smaller, faster, cheaper – para usar as palavras inglesas que traduzem essas três características.

Nos anos 1950, a evolução tecnológica cria diversos tipos de transistores, sempre menores, montados sobre pastilhas de silício. E o mundo passa a ser inundado por rádios portáteis transistorizados – em especial os fabricados no Japão.

O transistor tem muitas funções: amplifica o sinal elétrico, comuta circuitos, estabelece conexões, redireciona a corrente e muitas outras. Na microeletrônica é o ponto de partida para uma série de avanços. Trabalhando separadamente, Jack Kilby e Robert Noyce inventam em 1959 o circuito integrado – dispositivo que reúne numa única pastilha algumas dezenas de transistores e outros componentes como os diodos, capacitores e resistores. Em 1970, Ted Hoof e Robert Noyce, da Intel, inventam microprocessador, ou seja, a unidade de processamento central ou CPU dos computadores. O primeiro a ser comercializado em 1971 é o Intel 4004. Os mais recentes são Pentium ou o Intel Core 2 Duo.

Atualmente, os microprocessadores ou chips reúnem centenas de milhões de transistores. Os mais sofisticados e poderosos de hoje já quebram a barreira de um bilhão de transistores. Na realidade, a miniaturização dos componentes eletrônicos parece não Ter fim. É claro que há limites, quando se alcançam as dimensões moleculares ou atômicas.

Uma das características revolucionárias dos chips é sua constante queda de custo. Numa comparação ilustrativa, a revista Businessweek lembra que o número de transistores fabricados no ano de 2006 foi maior e mais barato do que todos os grãos de arroz produzidos no mundo.
Em 1965, os circuitos integrados abrigavam apenas algumas dezenas de transistores. Naquele ano, Gordon Moore, um dos fundadores da Intel, previu, por simples observação da evolução dos componentes, que os circuitos integrados dobrariam o número de transistores a cada 18 ou 24 meses. Acertou na mosca. É exatamente o que tem ocorrido nos últimos 40 anos. Essa previsão ganhou o nome de Lei de Moore.

Em 1975, os circuitos integrados já continham até 65 mil transistores. Em 1985, a IBM apresentou seu primeiro chip com mais de um milhão de transistores, na feira National Computer Conference (NCC), em Chicago. O Pentium 4 tinha mais de 55 milhões de transistores. No final de 2002, os microprocessadores mais densos quebrarão a barreira dos 100 milhões de transistores. Até 2009, surgirão os primeiros chips com mais de um bilhão de transistores.

Confira, leitor, a massa de novas tecnologias e produtos que o mundo ganhou depois de 1970, graças ao avanço da microeletrônica e, em especial, dos microprocessadores: computadores pessoais, videocassetes, CDs, câmeras digitais, DVDs, satélites domésticos, TV de alta definição, fibras ópticas, tomografia computadorizada, celulares, redes de banda larga, internet.

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