Reconstrução tridimensional de angiotomografia


Hoje em dia, temos a disposição diversos métodos diagnósticos que geram quantidades enormes de informações, e o antigo método de análise de imagens médicas pelo negatoscópio está sendo ultrapassado. A visualização das imagens geradas pelo Raio X, as chamadas “chapas”, era suprida adequadamente pelo negatoscópio, porém, com o advento da tomografia e da ressonância magnética, onde as imagens são cortes axiais (coronais ou sagitais), a necessidade de mais e mais folhas impressas dificultaram a análise. Porém, a tecnologia da TC e da RM continuaram a evoluir, gerando mais informação. Antes, o que era apresentado em poucas dezenas cortes axiais, agora possui milhares (uma TC AORTA pode conter milhares de cortes, dependendo da espessura do corte e qualidade do aparelho utilizado) de cortes axiais. E agora? Como o médico pode analisar todas essas imagens de uma maneira hábil e dinâmica, mantendo a produtividade e evitando uma L.E.R.?

A reconstrução tridimensional foi uma maneira de resumir os dados de todos os cortes axiais em poucas imagens. Rapidamente as informações importantes podem ser impressas em poucas folhas, porém não é fidedigna para análises mais precisas, como medidas de diâmetros e distâncias, muito importantes na programação cirúrgica vascular. Outras reconstruções, como as multiplanares foram criadas para suprir essa demanda, permitindo medidas muito precisas em ângulos nunca antes imaginados. Apesar de tudo, os médicos especialistas continuavam restritos ao laudo final do radiologista e as imagens por ele criadas, impressas, às vezes, até em papel comum. Dizem que uma imagem vale mil palavras, e no caso de uma TC com mil imagens? Teríamos um laudo de 1 milhão de palavras?


Antes, a reconstrução 3D estava restrita aos computadores workstations, que são dedicados e muito caros. Entretanto, com a evolução dos computadores pessoais, é possível ter, em casa, um computador quase tão poderoso quanto uma workstation dedicada às imagens médicas e capaz de permitir a criação de imagens com qualidade impressionante.

A grande questão, até a pouco tempo atrás era a quase inexistência de software adequado a análise de imagens DICOM para computadores pessoais. Os poucos existentes eram muito caros e inacessíveis para o usuário comum. E a maioria dos médicos acaba utilizando o software que vem junto com o CD do exame. O site “I Do Imaging” (http://www.idoimaging.com/index.shtml) oferece uma vasta coletânea de programas gratuitos prontos para serem baixados e usados.


Para os usuários do sistema Windows, recomendo o uso dos programas Realia, Image J, K-PACS; mas este artigo pretende atingir outro público, os usuários, ou futuros usuários de computadores Mac (Apple). Enquanto muitos médicos se afastaram do uso de softwares DICOM no início, pela dificuldade no uso e lentidão, novas soluções se mostram aptas a encararem o dia a dia do médico.

Recentemente Ratib e Rosset 1-4 desenvolveram o programa OsiriX para a plataforma Mac OS X, que é open source, ou seja, gratuito para uso e permite sua modificação. Oferece ao usuário comum a maioria das ferramentas que as poderosas workstations oferecem, desde a visualização rápida das imagens axiais sem modificação, até a edição avançada de reconstruções tridimensionais por volume ou superfície e reconstruções multiplanares. Por ter sido desenvolvido baseado em rotinas feitas para jogos tridimensionais, é muito rápido mesmo em tarefas muito pesadas. Mostrou ser preciso na visualização de pequenos vasos em áreas críticas, como a artéria de Adamkiewicz  5, comparativamente com sistemas complexos de workstations. No sitehttp://www.vascular.cc/aka.html pode ser visto num vídeo o método utilizado e demonstrado de identificação e localização da artéria radicular magna, em um computador pessoal comum MacBook Pro.

Mas essa é apenas uma aplicação de um software tão versátil. A grande utilidade, no dia a dia é facilitar a visualização das imagens médicas, que podem ser solicitadas em CD, ao invés de impressas. O CD mantém a qualidade original do exame, e ao invés de ter apenas algumas imagens impressas, podemos ver todas as imagens armazenadas.     No caso específico da cirurgia vascular, essas imagens podem ser utilizadas para programação de procedimento endovascular, que requer precisão absoluta nas medidas. Antes de realizar um procedimento percutâneo, o recomendado é obter suas próprias medidas, ao invés de basear o procedimento cirúrgico em medidas realizadas por um terceiro não diretamente relacionado ao paciente e procedimento, embora esta seja a solução adotada pela maioria. Para aqueles que adotavam realizar suas próprias medidas, a solução prévia era o uso de compassos e réguas, acrescidas de paciência e fé, ou então o deslocamento até o departamento de radiologia para uso do workstation. Porém, nenhuma solução dava ao médico liberdade para a análise adequada e ilimitada das imagens.


Enquanto a reconstrução tridimensional resume os dados obtidos em poucas imagens agradáveis e impressionantes, a maior utilidade do OsiriX está nas reconstruções multiplanares, capazes de fazerem medidas em qualquer ângulo, sendo muito útil no planejamento endovascular. O conhecimento das novas ferramentas de analise de imagens é imprescindível para acompanhar a evolução tecnológica.

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